Cumplicidades

Há palavras que nos beijam, Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança. De imenso amor, de esperança louca...

quinta-feira, novembro 11, 2004

A Canção Possível



Poderei ainda, amor, cantar
o exercício da insuportável ternura
sem que a vida sucumba
às cicatrizes do passado?

Por mais que digamos,
as nossas bocas morrendo uma na outra,
entre espasmos,
ainda a rosa é pálida
e os nossos dedos não passarão de mendigos
que se tocam na espuma dos dias.

Por mais que digamos,
as palavras jamais saberão o caminho
que lhes é devido,
o caminho das flores do silêncio
esse o único que salva o amor,
cravando-o na boca de Deus.

É noite, ainda, meu amor,
e a lua vem beijar-te os ombros
o teu corpo procura o lugar do meu,
como se nenhum outro coubesse dentro dele
antigo como a noite.

E os dedos serão ainda em torno da luz,
buscando a chama, o fruto,
a ferida que as tuas palavras
rasgaram no meu corpo
em volta dessa insuportável ternura.

Maria João Cantinho



(imagem de Eclipsivos)

31 Comments:

Blogger Sandro said...

Incrivel...
Normalmente quando chego aqui, venho sempre atrás de mais de 30 pessoas que já te comentaram.
Hoje tenho a honra de ser o primeiro.
Escreves bem... Escreves tão bem...

O amor pode-se cantar sempre, não porque queremos, mas porque o amor foi feito para ser cantado, vivido, e mais que tudo, partilhado.
O teu texto canta o amor como se da própria definição de amor se tratasse.
Gostei muito.

Um beijo grande!

8:53 da tarde  
Blogger sandra said...

Minha querida amiga!TEnho tantas saudades de ler os teus textos, de falar ctg....já há muito tempo k nao venho cá...Deixo-te beijinhos e kero k saibas k eu estou bem...beijinhos e depois passa no meu blog...

9:59 da tarde  
Blogger frog said...

...O Amor que tu escreves / è um poema tão esperado / que o tempo não limita / É um grito de alma que necessita / De ser ouvido e partilhado.

Um beijo grande

10:12 da tarde  
Blogger Luna said...

Palavras desentendidas, desencontradas
silêncios trocados, incompreensiveis
um dia...
Os silêncios trocar-se-ão pelos do prazer
da paixão, da loucura...o melhor dos silêncios.
As bocas...essas unem-se em mordidelas de brincar
e as mãos...as mãos dançam pelo teu corpo
na eterna cantiga dos nossos sentires.
Um beijo Maria

10:17 da tarde  
Blogger stillforty said...

consente amor/que a tua alma embale docemente/que o frémito que existe/nos meus lábios/circule no teu sangue/e te mantenha o fogo/eternamente.

11:02 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

o meu amor. o acto de possessão consentida.

que não restem dúvidas. de nada.

abraço. maria.

João

os dias das noites.

11:14 da tarde  
Blogger wind said...

Maria lindissimo poema de amor verdadeiro:) Este sim é o amor...Linda imagem poetisa sensível:-) beijos****

11:26 da tarde  
Blogger JPD said...

Muito bonito.
Há gente a escrever poesia com um mérito indiscutível. Depois...há escolhas de edição muito ajustadas e felizes.
Bjs

11:28 da tarde  
Blogger Poemas de amor e dor said...

Maria coloquei nos meus Poemas de amor e dor a carta que escreveste a tua "Mãe".
Vai ser um falatório lá na "terra"
Mas tudo isto não passa de cumplicidades. Um bom fim-de-semana que amanhã se Deus quiser vou até ao Meco.
Beijos do teu amigo
PS A “Maria” da carta esqueceu o Pitralon. SE calhar está a fazer falta ao Barbeiro.
Rogério

11:41 da tarde  
Blogger litle lucy said...

ola* venho quase todos os dias ler-te... hoje ouso dizer que.. és linda:) beijo Rose

11:50 da tarde  
Blogger Carmem L Vilanova said...

"... E que minha loucura seja perdoada,
porque metade de mim é amor e a outra metade...
Também..."
Somos loucos, loucos de amor e por isso merecemos ser sempre perdoados e incentivados a enlouquecer a cada mais! Que achas?
Recebi sim, seus lindos comentarios a Carmencita bebe e ao outro poema, o problema é que como eu estou tentando mudar a aparencia do meu blog estao passando alguns probleminhas de ordem técnica (risos), estou tentando resolver, se nao conseguir voltarei ao lay-out inicial... Muito obrigada por seus comentarios sempre tao lindos, tanto como seus poemas!
Um beijo amigo!
Carmem Lucia Vilanova

11:56 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

A imagem faz-me lembrar uma das estradas que vai dar a Bugalhos, terra onde vive alguém que conheço de há longa data.
LA

1:18 da manhã  
Blogger pandora said...

lindo... :) li várias vezes e esgotei as palavras...
pandora

1:22 da manhã  
Blogger Emilio de Sousa said...

A ternura também sustenta o amor. Mas também existe amor sem ternura? Será amor? Este poema é lindíssimo sem traduzir desalento como o título poderia sugerir. Para mim , pelo menos. Um beijo e bom fim de semana.

9:19 da manhã  
Blogger Yurei said...

Lindo MB. Sempre um prazer, as tuas escolhas.
Beijitos da Yurei

10:45 da manhã  
Blogger contadordehistorias said...

a ternura molda-nos o corpo e aquece o que temos dentro do peito. lindo. beijo grande

11:06 da manhã  
Blogger ccc said...

olá! já te ponho a par das novidades entretanto deixo-te um sorriso. Adorava estar nesse caminho, dá-me uma paz andar entre o mar de folhas vermelhas. bom fds.

11:06 da manhã  
Blogger Piolha said...

Já tinha saudadesssssss!!! Lindo como sempre =) muah*

11:42 da manhã  
Blogger Vera Cymbron said...

Uffahhh...demorou!
É uma canção linda, Maria!
Um prazer continuo, o teu blog...
Jinho

12:23 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

{ ...

(hoje) de azul*
por mais que a tente colorir
minha alma
manifestar-se (hoje) de azul*
© biquinha

*o azul [da tua alma]

...}

1:40 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

uma excelente escolha de texto que sempre me deixa encantado quando passo por cá.
beijos fofos minha amiga

paulo povoa
http://frasesepoemas.blogs.sapo.pt

2:21 da tarde  
Blogger Olhares said...

Maria; Este poema, é mais uma demonstração de como o Amor é um céu sem limites, uma tela no horizonte onde todos os dias se pode escrever a palavra "Amo-te".
Um bom fim de semana para ti também.
Um beijo com carinho

2:39 da tarde  
Blogger Cristina said...

lindo :-)

4:40 da tarde  
Blogger polittikus said...

Simplesmente belo... Bom fds.

5:06 da tarde  
Blogger Luis Duverge said...

Caminhei entre gritos de dor, mágoas profundas ... palavras de luto.
Acreditando na vida a alma eleva-se acima do múrmurio dos humanos ... o amor vence levado pelo vento na tua direcção onde me procuras. O passado só existe se não acreditares no futuro desse caminho que traças.
Vamos ... segue-me.
Beijo branco ...sempre branco.

6:57 da tarde  
Blogger tartaruga said...

lindíssima esta Canção querida Maria...! poisé eu sou uma Tartaruga lentinha... e que nem sempre tem inspiração para postar ;)beijinhos grandes e um sorriso :))

8:10 da tarde  
Blogger Márcia Maia said...

De uma melancolia tão bela que dói.


http://www.tabuademares.blogger.com.br

http://www.mudancadeventos.blogger.com.br

http://alfabeto.blogspot.com

9:25 da tarde  
Blogger lique said...

Um poema lindíssimo de uma melancolia pungente completado por uma bela imagem. Beijinhos, Maria e bom fim de semana.

10:20 da tarde  
Blogger Cacusso said...

Lindíssimo, Maria.
De cada vez que te visito é como se abrisses mais uma janela da velha mansarda.
Obrigado.
Bom fim de semana.

10:20 da tarde  
Blogger rfarinha said...

Cantas o amor com versos teus e e de outros com a simplicidade de quem ama ;) Bjs

10:24 da manhã  
Blogger 日月神教-向左使 said...

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2:35 da manhã  

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