Cumplicidades

Há palavras que nos beijam, Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança. De imenso amor, de esperança louca...

domingo, outubro 24, 2004

Menino da rua...



Todas as ruas têm um menino-consciência!
Que podia ter a roupa que não lhe demos
E o asseio que queremos para nós,
Mas não tem!
Nos seus olhos teimamos em ver uma esperança
Que não existe pois negamos-lha.
Teimamos em enxergar um sorriso que há muito se desvaneceu
Quando os sonhos deram lugar aos pesadelos.
Qualquer mostrar de dentes já tem tanto significado
Como a sua pouca vida.
Coloca um pé à frente do outro para não cair
E não porque tenha qualquer destino.
Sabe que se cair ficará por terra.
Não estaremos lá nós para o levantar!

sexta-feira, outubro 22, 2004

Como... ?

"Amou-me como se ama a luz querida,
Como se ama o silêncio, os sons, os céus,
Qual se amam cores e perfume e vida,
Os pais e a pátria, e a virtude e a Deus!"



Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá na extrema do horizonte assoma;

Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite na mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vaivém a nau flutua,

Como se ama das aves o gemido,
Da noite as sombras e do dia as cores,
Um céu com luzes, um jardim com flores,
Um canto quase em lágrimas sumido;

Como se ama o crepúsculo da aurora,
A mansa viração que o bosque ondeia,
O sussurro da fonte que serpenteia,
Uma imagem risonha e sedutora;

Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncio, e cores, e perfume, e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
O que espero, cobiço, almejo, ou temo
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo!
Esta oculta paixão, que mal suspeitas,
Que não vês, não supões, nem te eu revelo,
Só pode no silêncio achar consolo,
Na dor aumento, intérprete nas lágrimas.

Gonçalves Dias



Sinto-te respirar em cada palavra deste poema...


quinta-feira, outubro 21, 2004

Quando tu vens....

Antes do anoitecer, muito de mansinho tu vens, com o teu olhar penetrante que me perturba. Que muito me perturba.
E quando surges, revolves tudo dentro do meu ser, num laço tão forte que sufoca o mais pequeno sentimento alojado na mais remota parte de mim.
Os nossos odores entrelaçam-se, assim como nossas pernas.
As minhas e as tuas. As tuas mãos meigas, leves, mas cheias de
personalidade adejam sobre mim num bailado quase ritual.
Um beijo quente percorre-me da cabeça aos pés, seguido de um deleite quase insuportável.
De súbito, pertenço-te cada vez mais, como a luz pertence ao Sol, mesmo sob as nuvens.
Quero-te cada vez mais. Mais e mais e mais. Cada vez contigo, em mim,
os dois, revolvemos a penumbra, até ao clarear da madrugada que se adivinha luminosa.

Maria



Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda

terça-feira, outubro 19, 2004

O meu amor não cabe num poema

Quando estou só e da tua presença apenas tenho a memória vívida do teu Ser,
Envolvo-me nela , como se de uma manta se tratasse, até que voltes,
Cobrindo-me contra o frio da tua ausência, pensando:
Que amo eu em ti?
Teus olhos lindos mesmo quando chispam?
Tua boca fresca mesmo quando vocifera?
Teu cabelo negro mesmo revolto?
Tua doçura, tua inteligência, tua bondade?
Tua amargura, tua teimosia, tua crueldade?
O teu riso e o teu choro?
O teu coração imenso e a tua alva alma?
Não sei o que mais amo em ti... É o todo que me encanta,
E exprimi-lo nunca conseguirei completamente,
Nem com todas as palavras e afagos desta vida.

Maria


Fotos de Biquinha

O meu amor não cabe num poema ― há coisas assim,
que não se rendem à geometria deste mundo;
são como corpos desencontrados da sua arquitectura
os quartos que os gestos não preenchem.

O meu amor é maior que as palavras; e daí inútil
a agitação dos dedos na intimidade do texto ―
a página não ilustra o zelo do farol que agasalha as baías
nem a candura a mão que protege a chama que estremece.

O meu amor não se deixa dizer ― é um formigueiro
que acode aos lábios com a urgência de um beijo
ou a matéria efervescente os segredos; a combustão
laboriosa que evoca, à flor da pele, vestígios
de uma explosão exemplar: a cratera que um corpo,
ao levantar-se, deixa para sempre na vizinhança de outro corpo.

O meu amor anda por dentro do silêncio a formular loucuras
com a nudez do teu nome ― é um fantasma que estrebucha
no dédalo das veias e sangra quando o encerram em metáforas.
Um verso que o vestisse definharia sob a roupa
como o esqueleto de uma palavra morta. nenhum poema
podia ser o chão a sua casa.

Maria do Rosário Pedreira

segunda-feira, outubro 18, 2004

Sonhos ( em ti)

Quando deponho sobre os teus dedos de frio
uma mão de grinalda e de sonhos
vejo o amanhã inscrito nos teus olhos.



Armando Artur - Moçambique

domingo, outubro 17, 2004

Quando?



Quando passearemos de mãos enlaçadas sob as árvores?
E parados face a face
com o abraço subindo, lento e envolvente,
da cintura ao peito e aos ombros...
Quero sentir-te estremecer da terna expectativa,
bem junto a mim, do desejar não querendo,
vendo nos teus olhos o contrário do que a tua boca fala.
Pois te digo: gosto por demais de ti para me render
ao trágico significado da verdade do que dizes.
Repete, repete à exaustão a recusa suprema.
Não adianta , meu amor!
Até à morte, serão somente palavras que não desfazem a ilusão.
Só após ela se tornarão numa realidade que então não terá mais importância.



sexta-feira, outubro 15, 2004

Bálsamo

Olhei o vento e vi-te cavalgando as palavras que me dirigiste.
Tinhas um sorriso na face, iluminada por essa luz interior inextinguível
E as ondas do teu cabelo espraiavam-se na tua fronte morena, lisa,
Espelho de uma tranquilidade contagiante e de uma alegria profunda.
Bebo a tua balsâmica verve com sofreguidão na esperança
De que ela me cure de crónicos males de antanho.
Desce dessa tua diáfana montada e abraça-me com poesia.
Verte-me na alma o alento do amor supremo
E envolve-me com esse teu olhar tão doce
Para que eu possa ver com ele.

Maria




Teus olhos são meu livros.

Que livro há aí melhor,

Em que melhor se leia

A página do amor?


Flores me são teus lábios.

Onde há mais bela flor

Em que melhor se beba

O bálsamo do amor?


Machado de Assis

quinta-feira, outubro 14, 2004

Berthold Brecht

Dificuldade de Governar

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar.

Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente.

Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.

Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra.

E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
...
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que se custam a aprender?

.....................

Nada É Impossível De Mudar

Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural.
Pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural.
Nada deve parecer impossível de mudar.

......................

"Procuro por toda parte formas novas e faço experiências com os meus
sentimentos, como os mais jovens. Mas depois volto sempre à essência da
arte, que é simplicidade, grandeza e sensibilidade, e à essência de sua
forma, que é frieza."

.....................

As Boas Acções

Esmagar sempre o próximo
não acaba por cansar?
Invejar provoca um esforço
que incha as veias da fronte.
A mão que se estende naturalmente
dá e recebe com a mesma facilidade.
Mas a mão que agarra com avidez
rapidamente endurece.
Ah! que delicioso é dar!
Ser generoso que bela tentação!
Uma boa palavra brota suavemente
como um suspiro de felicidade!

terça-feira, outubro 12, 2004

Ir com o tempo...

Adoro esse mapa que se vem gravando no teu corpo,
Essa textura de uma vida que soubeste partilhar,
Esse testemunho de que viveste para o tempo,
De um tempo que por ti passou e marcou,
No qual foste espectadora e intérprete.
Quisera reduzir-me ao ínfimo ser
Para poder percorrer os montes e vales no teu rosto
E ouvir os ecos das histórias que viveste.
Quero aprender contigo o saber que és...

Maria



Gosto das mulheres que envelhecem,
com a pressa das suas rugas, os cabelos
caidos pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros. Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas, olham para fora,
para o átrio que não vejo, de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres, sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas. As mulheres que envelhecem
sentem que as olho, que admiro os seus gestos
lentos, que amo o trabalho subterraneo
do tempo nos seus seios. Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua, e dizem baixo,
por vezes, essa elegia que só os seus lábios
podem cantar.

Nuno Judice

domingo, outubro 10, 2004

Neste Lugar...

É aqui neste lugar rodeada por azuis-mar
Que te sonho mundo,
invento-te para mim manso e suave
desenhei-te um olhar claro e de esperança
O mesmo olhar com que velavas os meus sonhos de criança
Aqui tudo esta quieto e tudo foge para além de mim
Não posso acompanhar-te aonde vais
E fico onde estou
Não posso correr para esse abismo onde teimas em viver
Volto a inventar sorrisos em todos os rostos que te habitam
Invento-te uma harmonia sonhada
e uma paz desejada
À volta só o silêncio e a solidão
respondem ao meu olhar que não descansa,
ao meu coração sequioso
A quem um dia disseram que tivesse esperança
Aqui neste lugar onde sempre volto...

Maria



Uma simples folha branca que esvoaça,
Ritmada por ecos de música e p'lo vento que passa
À espera dum breve registo... um qualquer pensamento
Que a enriqueça com arte, feliz contentamento!

Uma tábua comprida é um banco
Uma mesa corrida um convite ao descanso
O mar ao longe, cenário e as dunas um manto
Aqui repousam lamentos, aqui o amor é santo!

Que seja imortal este momento,
A paz, a alegria, o sentimento....
Que tenha memória viva este sabor ameno!

Anseio sempre por voltar aqui
A este lugar tão fabuloso e tão pleno!
.... este refúgio de mim!

Ana Prata
(Praia do Gancho/ Bar do Ricucu / Agosto 2004)



A Ourem, ao Luís e à Ana o meu muito obrigada pela atenção e carinho demonstrados com o Cumplicidades.


quarta-feira, outubro 06, 2004

Aromas (de ti)

Os dias volvem-se, mas a rememoração do teu corpo enredado no meu, com os olhos e as mãos a ditarem os acordes da sublimação, continua a ser uma sinfonia... sempre por dentro do que temos de mais cúmplice, íntimo, único e nosso, conto-te.

De quantas palavras, gestos e pensamentos precisarei propalar para te inquirir de todos os sonhos? Os que detemos e que fazem parte todas as nossas vidas, as que comungamos e as que sonhamos.

Continuo a contar-te que os meus sonhos se fundem nos teus, qual corpo sedento de outro que se encrisalida como se fosse um único. Depois, ambos, bem por dentro de ambos. Um no outro a sentir cada um deles e a fazê-lo tornar-se Um, qual cosmos de sensações e êxtases, sempre em fusão, por dentro das mentes de cada um, conto-te com tantas palavras iguais, mas que me saíram assim como se fossem beijos...

Deixa que faça das palavras beijos, e beijos de cada palavras que te escrevo

Deixa que te conte como te desejo, aqui e agora, para renunciarmos ao tempo e fazermos dele, do tempo, o instante em cima de cada instante; o momento em momentos de profusão com teu corpo por dentro do meu a tua alma por dentro da minha.

Deixa que percorra o teu corpo de sabores e ânsias com lábios de palavras que são beijos


Pararmos o tempo e saciarmos todas as sedes: a dos teus lábios nos meus, a dos teus olhos a vislumbrarem os meus e a pedirem-me que te ame. Sentir tudo o que se deve sentir quando os corpos dialogam com as palavras, notas e acordes de todas as sinfonias.

Deixa que me perca em ti sem palavras e desejos. Sem palavras, apenas beijos que são palavras.


Depois, pedir ao tempo que continue a volver os dias dentro da normalidade e da mortalidade. Entretanto os nossos corpos apoderaram-se da dádiva dos deuses e com eles foi percorrido o caminho da sublimação.

Deixa que os beijos sejam palavras, e que as palavras sejam beijos...



terça-feira, outubro 05, 2004

Wind....

Neste espaço virtual vamos encontrando pessoas que nos surpreendem, que nos encantam, a Wind foi uma dessas pessoas, encantou-me desde o inicio. Foi-se revelando uma pessoa generosa, de uma sensibilidade imensa, disponivel e atenta, amiga! E como não têm um blogge fiz-lhe um convite, o de partilhar conosco os seus gostos, a resposta não me poderia ter agradado mais, foi positiva. Wind Obrigada!


Estas são as suas escolhas:



Deixa-me ser a tua amiga, Amor,

A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.
Que só, de ti, me venha mágoa e dor

O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!...Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei p'rà minha boca!...



Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Tomo a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca


Nota: Este último poema da Florebela Espanca lido de baixo para cima continua a fazer todo o sentido...

domingo, outubro 03, 2004

David Mourão-Ferreira

A vestir-te
o corpo
nu

Ou a sede
que é minha

ou a sede
que és tu


Penélope

mais do que um sonho: comoção!
sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

e recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.

mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.



Escultura de Francisco Simões


Elegia em verde e branco

Branca só a espuma que rodeia
as tuas formas verdes, alongadas.
(O resto são basílicas e casas,
sem nervo edificadas pela areia...)

Ao sol do meio dia desfizeste
o sortilégio verde do teu corpo.
Abandonaste as águas e trouxeste
a brancura da espuma no teu rosto.

Agora já também se torna branco,
ardente e branco, o nítido horizonte.
Em verde e branco meu desejo irrompe
e descobre uma fonte no teu flanco.

À hora do sol-posto abandonaste
o sortilégio verde do meu corpo,
desfizeste o encanto e projectaste
a brancura da lua no meu rosto.


Das sílabas a espátula
começa pouco a pouco

a modelar-te em alma
o que era apenas corpo

De sílabas a estátua
De lãminas o sopro

O que era apenas alma
volve-se agora corpo






sexta-feira, outubro 01, 2004

Intemporal

És tu a Primavera que eu esperava,
A vida multiplicada e brilhante,
Em que é pleno e perfeito cada instante.
...

Peço-te que venhas e me dês
Um pouco de ti mesmo onde eu habite
...

Em nome da tua ausência
Construí com loucura uma grande casa branca
E ao longo das suas paredes te chorei
...

Sophia de Mello Breyner Andersen




Despe-te de tudo o que te poderá embotar os sentidos
Pois quero que chegue às mais abissais fossas do teu ser
Todo o amor de todos os amantes que por estas terras passaram!
São para ti todas as palavras que foram ditas
Todos os poemas que foram cantados,
Todas as juras formuladas.
Quero que seques todas as lágrimas derramadas
E conformes no semblante todos os sorrisos que iluminaram tantos rostos radiantes.
Recebe amor, todos os beijos e todos os abraços que alguma vez se perderam.
Quando a terra se escancarar, quando o Fim for o Princípio,
Estaremos juntos no limite temporal do universo.

Maria

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