Cumplicidades

Há palavras que nos beijam, Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança. De imenso amor, de esperança louca...

sexta-feira, setembro 03, 2004

Ausência

Momentos há em nos encontramos fora da nossa cabeça
Em que o que nos rodeia não é mais que uma tela
Da qual já não constamos, por mais que nos procuremos.
Deixamos de ser impressionados pelas solicitações exteriores
E eis que partimos para um lugar recôndito por um caminho desconhecido.
Sentimo-nos com se estivesse-mos acima do solo
Entre o ser e o era-mos, nada nos faz falta.
Defende-se assim o espírito do sofrimento
Procurando um alívio na ausência, que é consciente
Para os sãos de espírito...

Hoje, sinto-me assim. Ausente de mim...

Maria





talvez tudo isto
seja apenas eu
a ir devagar
infinitamente cheio de medos

pousado, sobre mim,
há um sorriso que se esquece
no gesto trémulo das horas.

(...)

o sonho onde me deito
adormece sobre mim.
e a escuridão que
os olhos me trazem
é feita de alguma ausência.

o tempo que me reflecte,
não me sabe,
e este que me olha
não sou eu nem ninguém.

na reflexão onde me exteriorizo
alguma coisa se destrói em mim.
passo ao lado do aceno
e alguma coisa nasce em mim.

(...)

íntimo, o espaço, flutua
sobre a extensão do olhar.
em simultâneo um sorriso
quebra o gesto imóvel
da mão.

aqui, neste mínimo movimento,
o corpo vai de encontro
ao tempo decomposto.
onde, a dor, incompleta,
continua a ser diluição
de um voo indiferenciado.

a luz que revela
o ver ausente
separa o corpo repousado
sobre o possível ou
o limite infundado do grito
despido, pronto.

levanto-me desta brevidade
forma de ser ou, tão simplesmente,
um consolo onde
retorno ao descanso do silêncio.

a dor, repousada
sobre o corpo,
vive indiferenciada a
lembrança da esperança breve
que prende a ausência
do encontro ténue
onde um diluir do espaço
se torna espera.

(...)

olhas-me, perpetuamente, indiferente
olhas-me, e já por me olhares vês-me.
queria dizer-te palavras,
queria tão somente dizer-te.
não sei, não posso, não me deixas,
olhas-me assim,
só assim.

(...)

na hora em que perdi
resisti, imponente, impotente,
sei lá.
confundo-me na hora do deslumbramento.
resguardo-me inteiro,
apenas um corpo
jurado para sempre.

dormente, a vertigem,
cai sobre a memória.
um sonho que se abre
ainda, e mais uma vez,
na ausência que se
não pensa e torna
os sulcos, uma e outra vez, medo
de ir cair sobre o espaço ou corpo
onde pus sem resposta
a ferida que desce,
sobre o tempo.

(...)

o olhar inventa o regresso
sob o resguardo persistente
da dilaceração angustiante da dor.

vãos, os olhos disfarçam
a violência inscrita
que lenta respira
e desce abrindo-se no
recolher hesitante da voz.

assim, exacta, caminha quase só
metamorfose do tempo
onde pus toda a alma
e regresso, agora, eterno,
ao lugar do fim.

Eduardo de Quina




53 Comments:

Blogger mário said...

deixo te um grande beijo...

8:23 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Ausente de ti? Mas as tuas palavras continuam tão belas como sempre :) beijinhos doces, Gisela

9:00 da tarde  
Blogger IceBlackIce said...

E embora ausente de ti, vejo-te reconheço-te. E porque há dias assim, apenas nos resta sobreviver a esses. Beijo.

9:30 da tarde  
Blogger polittikus said...

Há dias assim, Maria. A ausências de sentidos e de palavras... Gostei.

9:31 da tarde  
Blogger Ana said...

Adorei o teu blog... Assim que aqui cheguei e me deparei com as palavras do O'neill fiquei encantada... Obrigada pela visita e pelo comentário... Volta sempre que puderes... Que de certo que eu voltarei aqui... Beijocas

10:24 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Há dias, minha amiga. Teu texto revela uma Ausência tantas vezes necessária pra que possamos nos permitir ser inteira. Nossos tantos lados. E parece que tu, linda, consegues olhar fundo pra dentro de ti. Vai além e espalhas este sentir em palavras.Bj, Maria. Fica bem!Lia
http://textosecenas.blogspot.com/

10:57 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Aquela sensação de que se está totalmente fora, uma especie de levitação, calma, isolada, que nos trai porque tem o efeito contrário... por vezes é bom assistirmos de fora, ou não?

DL- Eu sei lá
http://euseila.blogs.sapo.pt

11:52 da tarde  
Blogger Emilio de Sousa said...

Ausência, fuga legítima. O contrário de covardia. Outra coisa se não esperava de si. Tem sempre regresso.Um beijo.

12:23 da manhã  
Blogger Emilio de Sousa said...

Ausência, fuga legítima.Contrário de covardia. Não se espera outra coisa de si. Tem sempre regresso. Um beijo.

12:31 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

ausente de ti própria sentindo em paz, sentindo que nada pode penetrar e deixar-te livre e calma.
beijos

1:03 da manhã  
Blogger ruiluis said...

olá , descubri-te e gostei...eduardo de quina é outra descoberta que irei guardar e apreciar...ainda bem que existes, maria !

1:43 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Maria, quantas vezes nos sentimos assim...ausentes de tudo.
Beijos
Marcia http://www.lendoesonhando.blogger.com.br

2:28 da manhã  
Blogger AmigaTeatro said...

São dias. Apenas dias. Uns em que nos sentimos mais ausentes do que outros. Ausentes de tudo; do mundo. Mas são apenas dias. Insegurança. Medo. Anseio.

Maria, beijinho

Sara
http://mundoajanela.blogspot.com

7:44 da manhã  
Blogger PARTILHAS said...

Ausente da presença constante... ausente da dor, ausente da alegria, ausente de mim, de mim, de nós. Presa, agarrada a esta ausência, que me preeenche e me esvazia...

Deve ser do tempo, parece que estamos todos a planar sobre nós mesmos.

9:08 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

às vezes gosto dessa sensação, outras vezes sinto-me sufocar nessa ausência... quero saír dela e não consigo... enfim...! beijinhos gandes maria!
tartaruga

9:43 da manhã  
Blogger yogipijama said...

Há dias assim! Mas são estes dias que nos elevam a alma à escrita. bjs :)

11:08 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Faço um pacto contigo: quando te ausentares eu fico a guardar-te o blogue, limpo-lhe o pó e mudo a água às flores e tu pagas-me em poesia, reconhecendo que existo. Que dizes?
BONSAI

11:47 da manhã  
Blogger nocturnidade said...

"pernoito neste corpo magro espero a catástrofe
basta manter-me imóvel e olhar o que fui na fotografia
não... não voltarei a suicidar-me
pelo menos esta noite estou longe de desejar a eternidade" Al Berto

Bom fim de semana para ti, beijo.

3:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Oi minha amiga linda, acontece mesmo essas ausências, mas às vezes são boas, elas servem para limpar situações, se permitir olhar e sentir o que acontece dentro de nós. Depois de um tempo, voltamos e começamos tudo de novo, mais fortes.
Obrigada pelo carinhoso comentário lá no meu blog. Fico feliz, mais ainda com uma pessoa tão linda ao meu lado.De coração agradeço. Mil beijinhos e um lindo fds.
Anne.

6:32 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Oi minha amiga linda, acontece mesmo essas ausências, mas às vezes são boas, elas servem para limpar situações, se permitir olhar e sentir o que acontece dentro de nós. Depois de um tempo, voltamos e começamos tudo de novo, mais fortes.
Obrigada pelo carinhoso comentário lá no meu blog. Fico feliz, mais ainda com uma pessoa tão linda ao meu lado.De coração agradeço. Mil beijinhos e um lindo fds.
Anne.

6:36 da tarde  
Blogger JPN said...

andei por aqui e por ali, pelos textos próprios, pelos que apropriados aqui estão como se fossem próprios, fiquei assim a esparramar-me de silêncio, a saborear as palavras fortes. gosto de palavras fortes.obrigado

1:18 da manhã  
Blogger Tim Bora said...

Li a introdução normalmente e depois, por mero acaso, comecei a ler de baixo para cima linha por linha. O efeito é surpreendente. Não altera o sentido do texto. Ás vezes temos que procurar no nosso avesso, para nos encontrarmos. Bom fim de semana.

1:37 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Só hoje, Maria?!
Bom dia e bom fim-de-semana!

3:00 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Os momentos de ausência por vezes fazem falta. E podem ter um efeito surpreendente: voltarmos com mais força! Um beijo :* Eu Também http://eutambem.blogdrive.com

4:09 da tarde  
Blogger lique said...

Olá Maria! Amiga, tenho que te agradecer tantas provas de carinho! Já ando por aqui a visitar os amigos e a comentar aqueles em que é possível. Como te entendo e como exprimes bem essa sensação que nos toma, de vez em quando, de estarmos "ausentes de nós"! Beijinhos, amiga.

8:57 da tarde  
Blogger sandra said...

Minha querida amiga!Quantas saudades de teus poemas, quanto saudade de conversar ctg...ja lá vai um mes que me fui e agora que cá estou em casa nem posso ir à net pois aconteceu-me muitas coisas ao pc e à adsl....tou muito triste por isto...mas feliz pk as ferias correram bem, e porque estou bem comigo própria....
Adorei este teu poema e sabes tb me sinto assim...tou mesmo xateada por não poder vir cá...e falar com os meus amigos, sinto que algo me falta e me vai fujir....
Beijinhos grandes e tou xeia de saudades tuas...

11:49 da tarde  
Blogger Maria Branco said...

User: Um beijinho para ti...

1:51 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Gisela. Ausente de mim, do mundo... Obrigada. Beijinhos

1:52 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Ice: Não gostaria de acreditar que é apenas uma questão de sobrevivência.. Há que superar estes momentos sim, não é facil. Mas, também são importantes.. Para que possamos encontrar o caminho, e encontramo-nos.. Beijinhos amigo

1:55 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Aninha: Obrigada pela visita. Voltarei sim, será um prazer. Beijinhos

1:56 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Polittikus: A ausência de tudo...

1:58 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Lia: Tento querida amiga.. tento... Beijinhos

1:59 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

DL: é não só bom como necessario afastarmo-nos o suficiente de nós, para nos podermos encontrar, para percebermos... A vida, e nós proprios... Beijinhos

2:02 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Emilio: Não tenho por habito fugir, seja do que for. Esta ausencia não é uma fuga, é talvez o distanciamento que preciso para me resolver.. Beijinhos

2:05 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

RuiLuis: Obrigada pela tua visita. Eduardo de Quina é magnifico. Este seu poema é lindissimo e revela-me em cada palavra.

2:06 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

AmigaTeatro: São dias... dias de encontro. Beijinhos

2:07 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Partilhas:.. e nada acrescento ás tuas palavras, porque elas dizem tudo.. Beijinhos amiga!

2:08 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Tartaruga: Mas saimos sempre... Basta estarmos disponiveis para nós.. Beijinhos

2:10 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

yogipijama: Umas vezes sim, outras... Beijinhos

2:11 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Bonsai: As minhas palavras quando colocadas aqui, são para quem as lê, deixam de me pertencer.. São oferecidas. E nunca serviriam como meio de pagamento a qualquer coisa. De qualquer forma muito obrigada.

2:15 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Querida Marcia: tantas vezes... Beijinhos

2:16 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Nocturnidade: Obrigada por trazeres aqui as palavras de Al Berto. Beijinhos

2:18 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Querida Anne: Sim, elas servem para nos permitir um novo começo... Beijinhos amiga.

2:20 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Jpn: Obrigada pela visita. Palavras fortes para definirem estados de alma igualmente fortes..

2:22 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Tim: Sabes que depois das tuas palavras, reli o poema tal como o fizeste e realmente o sentido não é alterado nem s sua beleza. Beijinhos

2:25 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Eu Também: Sim, espero voltar mais forte, de e para a vida.. Beijinhos

2:26 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Querida Lique: Hoje deixo-te um abraço forte, forte... E por favor não agradeças, a amizade não se agradece. Muitos beijinhos

2:28 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Minha querida Menina: Fico muito feliz de te saber bem. Lembras do nosso pacto? um sorriso sempre, e é assim que te quero de sorriso pronto nos lábios e no coração. Teremos oportunidade de conversar. é bom ter-te de volta. Muitos beijinhos

2:29 da manhã  
Blogger Poemas de amor e dor said...

Maria dado que não posso actualizar os poemas de amor e dor no sapo criei a correr um blog que é http://poemasdemim.blogspot.com/
Está lá uma mensagem que não consegui colocar no outro
BEIJOS
Rogério Simões

4:10 da manhã  
Blogger polittikus said...

Há momentos que sentimos q saimos do nosso corpo para viver outra realidade...

4:17 da tarde  
Blogger Maria Branco said...

Rogerio: Sim, o sapo anda terrivel.. Ainda bem que te poderei encontrar noutro canto. Irei lá.. Beijinhos e obrigda pela tua atenção!

10:58 da tarde  
Blogger Maria Branco said...

Polittikus: E depois lentamente voltamos, com outras certezas, com outras verdades.. Prontos para recomeçar.. Beijinhos

10:59 da tarde  
Blogger 日月神教-向左使 said...

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2:36 da manhã  

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