Cumplicidades

Há palavras que nos beijam, Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança. De imenso amor, de esperança louca...

quarta-feira, julho 28, 2004

Não perguntes...

Quantas vezes te pergunto algo
Não querendo saber a resposta?
Quantas vezes a resposta prova
Que não deveria ter existido pergunta
E a resposta é dor?
Curiosidade masoquista?
Não!
Simplesmente...amor.
Pois muitas vezes o consolo está na pergunta
E não nas respostas.
Será que, de mim, gostas?
Não, não respondas!

Maria


Não me perguntes porquê,
Porque choro.
Iria mentir,
Eu,
Que nunca minto.
Disfarçaria,
Desencantaria risos...
Mas voltria a chorar...

Vês?
Que afinal não sei esconder?

Julgas que choro por tão feliz,
Mas eu,
Não me perguntes porquê,
Choro quando não te toco...
Choro porque não te sinto!

Por isso,
Pedi que viesses,
Que nos fossemos sentar
Em frente ao que queríamos ser,
Ou,
Ao que fomos,
Quando ainda não sabíamos
Da existência de caixas de futuro,
Para abrirmos juntos,
Até termos a nossa história...

Não me perguntes porquê,
Mas,
Quero-te ainda mais,
Ainda que estejas já,
tão comigo!

Talvez por isso,
Tenha aberto a caixa,
A que guardava o mar,
E as ondas delinearam,
Salinas,
O sorriso posto no areal,
Nossos lábios escarlates...

Não me perguntes porquê,
Mas que vontade de ver,
De tirar outra caixa,
Um pedaço de sol,
Ajeitar-lhe expressões doces,
E
Dividi-lo,
Pelas nossas faces,
Tornando-as cálidas...

Já estamos sentados,
Numa pedra de xisto,
Pescando peixes,
Peixes coloridos,
Voadores,
Com a ponta dos dedos,
Feitos anzóis
Que não magoam,
Por tão redondos!

Enchemos com eles,
Uma das caixas que esvaziamos,
Que decorámos com paisagens,
Que enchemos de rios,
Onde se reflectem as horas passadas,
Quase todas as ue tirámos do futuro,
E vemo-los nadar...
Roçando os nossos pés descalços...

Não me perguntes porquê,
Porque já sabes a resposta.
Tu sabias!

Seriam estes os momentos
Com que faríamos colares.
Que destas caixas sairia
A mais bela história,
E eu pararia de chorar marés,
Para sorrir areais,
Ornando este espaço de nós,
Com abraços,
Búzios postos em fila...

Da penúltima caixa,
tiravas então, cones de vento,
Que aproveitavas
Para te chegares ainda mais,
E, sermos,
Nesta praia,
Os únicos habitantes!

Não me perguntes porquê,
Se já sabemos tudo!

Aproveitamos o resto das palavras,
Das que encontrámos
No fundo da última caixa
Para as lançar... no mar
Quais jogas redondas, redondas!

Cristina Miranda

26 Comments:

Blogger sandra said...

Minha amiga,concordo com o que dizes!Gostei deste teus texto, pequeno mas belo e com muito que se lhe diga!É verdade que muitas vezes a dor está na resposta, pois ouvimos muitas vezes coisas que não estavamos à espera e que nos doem na alma e no coração.Mas também quando fazemos uma pergunta e não obtemos resposta, andamos sempre a pensar no que teriam respondido e a pensar por vezes errado, porque pensamos que nao nos responderam porque tinham medo de nos magoar!
Beijinhos minha amiga!Fica bem!

9:52 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Maria, o poema de cristina Oliveira confesso que não conhecia e achei lindo, uma continuação do teu. Há de facto perguntas que não se devem fazer, se não se aguentam as respostas, mas por outro lado consegue-se viver na incerteza? Beijos:)*** wind

10:06 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Errata: É Cristina Miranda e não: Cristina Oliveira:) wind

10:07 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

respondo.
f.p

10:21 da tarde  
Blogger Maria Branco said...

Querida Wind: Estas perguntas a que me refiro, não precisam de respostas porque as sei. Há perguntas que são desnecessárias, basta estar atenta, basta olhar nos olhos de quem se ama, que encontramos todas as respostas. Existem dialogos nos silencios de um olhar. Existem respostas nas palavras que não se dizem, naquelas que se desenham num gesto, numa palavra escrita, num silêncio. Só se vive na incerteza quando não se está atento ao outro. O amor não se vive na razão, pois não? é deste lado apenas emocional que falo... No prolongar do sonho...

11:08 da tarde  
Blogger Maria Branco said...

Querida Sandra: Como disse á Wind. é preciso saber ler nos silêncios, neles estão guardadas todas as respostas. Elas estão também dentro de nós basta que as saibamos escutar. Sim, provocam dor, temos contudo de saber lidar com ela, e transforma-la em força, para podermos prosseguir.

11:20 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Sei, Maria:))) bjs wind

11:20 da tarde  
Blogger Maria Branco said...

Querida Sandra: Tal como disse á Wind, é preciso estar atenta ao que os silêncios guardam, neles e dentro de nós existem todas as respostas, basta que as queiramos encontrar... E eles silêncios podem ou não, magoar tanto como qualquer palavra dita.. As pessoas vivem no engano que ao calar sentires nos protegem da dor, puro engano, dela e nosso, não te parece?

11:29 da tarde  
Blogger Emilio said...

Há perguntas que realmente não necessitam resposta mas quem as faz sente necessidade de as fazer. E há respostas mudas tão eloquentes...Um beijo por tão profunda escolha, Maria.

11:41 da tarde  
Blogger Maria Branco said...

Querido Emilio, sim é verdade, sentimos necessidade de perguntar, sentimos necessidade de ouvir, faz-nos bem à alma... mesmo que a resposta não seja a esperada, mas a esperança, essa empurra-nos, obriga-nos a faze-la!

11:48 da tarde  
Blogger Lapis de Cera said...

Agora, sim, Maria, ficou completo!Beijos!Não consigo dizer-te mais nada a não ser um obrigada muito apertado!Cris

12:04 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Querida Cris, as tuas palavras são perfeitas, todas as que te conheço, é um prazer enorme poder publica-las aqui! Obrigada por essa oportunidade! É sem duvida lindissimo, e que me diz muito, identifico-me com esta historia-poema! Um beijinho enorme para ti!

12:09 da manhã  
Blogger o5elemento said...

{ ... teu brilho em palavras reflexo de alma entendo © biquinha ... }{ beijos* }

12:10 da manhã  
Blogger MWoman said...

Perguntas e dúvidas próprias de quem ama!Precisamos nós de as fazer? De ouvir as respostas? Talvez não, mas mesmo assim...Beijos

12:19 da manhã  
Blogger Emilio said...

Obrigado por ter dado importância ao meu comentário. Que nunca lhe falhe uma resposta sequer a todas as perguntas que formular, é o que mais lhe desejo. Outro beijo.

12:29 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

5elemento: As palavras reflectem sempre a alma, o sentir... Obrigada pela visita. Beijo

12:34 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Mwoman, por vezes sentimos necessidade de ouvir, de alimentar a alma, mas como já anteriormente referi, elas palavras revelam-se num gesto, num olhar, num silêncio, qualquer uma é sempre importante, sempre desejada... Beijo

12:41 da manhã  
Blogger Maria Branco said...

Emilio, todas as palavras que me deixam aqui são me importantes, o meu muito obrigada pela sua atenção em comentar os meus posts.

12:52 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

perguntas de retórica, perguntas de secreta esperança...
Beijo com desejo de um dia bom.

8:27 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

as belas palavras que se conjugam.
o juntar das tuas com as outras bonitas também.
e a pergunta que se faz sem querer resposta.
a pergunta, gostas de mim?
se não se quer resposta se responde com uma pergunta, e a pergunta seria assim:
e o que é o amor? é beijar-te a abraçar-te? é dar-te carinhos simplesmente por gostar de os dar? é saber que ajudo sem esperar nada em troca, apenas para saber que ficas melhor? se é isto, eu faço isso?
não respondas, apenas deixa o silencio no ar, e responde apenas com o olhar.

10:16 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

insistir nas perguntas é tantas vezes não aceitar a resposta de antemão conhecida! por isso, a resposta a já vai na pergunta : "não respondas"... que dói!

gostei mto! bjs

DonBadalo

10:28 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

não respondes. porque me dás esperança no teu silêncio.

abraço. maria.

João

os dias das noites.

10:48 da manhã  
Blogger folhasdemim said...

Há que sentir, compreender e saber escutar. Qualquer que seja a pergunta. E qualquer que seja a resposta. É tão boa a cumplicidade no silêncio...

12:02 da tarde  
Blogger g. said...

minha querida maria que te posso eu dizer?? é tudo tão complicado. eu não gosto de perguntas sem respostas, não gosto de ficar a pensar que o 'quem cala consente' normalmente isso dá mau resultado. as dúvidas devem ser logo esclarecidas, as meias-palavras não devem de existir, ou se gosta ou não se gosta, não existem 'nims', o sim tem de ser sim e o não tem de ser não categoricamente. pois... haviam muitos nims, e depois de mais uns nims ouvi aquilo que não queria ouvir. doeu muito. doeu muito porque foi agora, quase passado 1 ano, doeu muito porque lhe pedi que entre nós os sim seria sim e os não seria não. assim simplesmente. como estou? estou vazia de tudo até de mim. acho q é o destino, hoje assim que abri o PC tive necessidade de ver as tuas rosas que sei me acalmariam, tinha necessidade das tuas palavras que sei encontraria conforto nelas mas não estava à espera que as tuas palavras fossem mesmo e especialmente para mim. beijo grande minha amiga

12:40 da tarde  
Blogger Maria Branco said...

Querida G. Se eu soubesse que as minhas palavras te despertariam dor não as teria colocado aqui... Encontramo-nos tantas vezes nas palavras dos outros, talvez porque somos todos tão iguais, nos desejos, nos sonhos, na vida... E, ao olharmos para o lado, reconhecemos num gesto, cheiro, palavra, em qualquer coisa, o que tanto precisamos de esquecer... Tarefa dificil essa, quando se fala de um amor que teimosamente continua vivo em nós, apesar da distancia imposta... Mas acredito que o tempo minimize a dor, e que um dia possas recordar sem dor, que possas guardar o melhor dos dois, e que em teus lábios e coração se desenhe um sorriso... Deixo-te um beijo enorme de força e compreensão... Estarei sempre aqui, poderás sempre contar comigo!

1:06 da tarde  
Blogger Alma said...

Mariazinha :) adorei ... deixas-me sem palavras como de costume :) beijinhos

Nada ao Acaso (http://alma01.blogs.sapo.pt)

2:14 da tarde  

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