Cumplicidades

Há palavras que nos beijam, Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança. De imenso amor, de esperança louca...

sexta-feira, julho 30, 2004

Porque sim..

Muitas vezes a nós nos perguntamos
Porquê aquele ou outro é o escolhido?
Qual a razão de termos querido
Que fosse tal ou tal o ser que amamos?
Quando a alma reconhece a sua igual
E as defesas baixa assim rendida,
Será porque é feliz logo à partida
Pondo de parte todo e qualquer mal?

Maria





Sei lá porquê! O amor não tem porquê!
Um sorriso, um olhar alvoroçado
e o coração em festa e deslumbrado
por um lampejo que ninguém mais vê!

Alma que se reparte e espera e crê
e mais quer dar depois de tudo dado.
E porque a vida é beijo conquistado,
bendito seja o amor pela mercê

Compreender a voz fria do luar
e ao longe ouvir as ondas e entendê-las
e a própria neve transformar em lume...

Sem porquê! Sem razão e sem pensar:
como no Céu se acendem as Estrelas
e na terra as violetas dão perfume.

Maria Helena



quinta-feira, julho 29, 2004

Apenas Sonho...


É ao lusco-fusco que crescem os medos de separação,
Os beijos nascem mais sôfregos,
Os abraços mais apertados
E a ansiedade mais desesperada.
Só as mãos entrelaçadas estão quietas,
Como que tentando parar o tempo,
O sonho de ter... de ser...

Maria





Apenas Sonho

Na hora magoadíssima do poente
- quase apagada já a luz do dia -
rezava a tua voz tão docemente
que nem o mar, o grande mar ouvia.
Na minha mão, a tua mão ardente;
no meu, o teu olhar que se morria
e o mar a nossos pés em tom crescente
cantando, nem sei que litania.
Depois...sei lá que sucedeu depois!
A mesma chama nos prendeu os dois
e a ambos fustigou, como um açoite.
Nem sei se foi subtil, se foi agreste...
Apenas sei que o beijo que me deste,
foi a primeira estrela dessa noite.

Maria Helena


quarta-feira, julho 28, 2004

Não perguntes...

Quantas vezes te pergunto algo
Não querendo saber a resposta?
Quantas vezes a resposta prova
Que não deveria ter existido pergunta
E a resposta é dor?
Curiosidade masoquista?
Não!
Simplesmente...amor.
Pois muitas vezes o consolo está na pergunta
E não nas respostas.
Será que, de mim, gostas?
Não, não respondas!

Maria


Não me perguntes porquê,
Porque choro.
Iria mentir,
Eu,
Que nunca minto.
Disfarçaria,
Desencantaria risos...
Mas voltria a chorar...

Vês?
Que afinal não sei esconder?

Julgas que choro por tão feliz,
Mas eu,
Não me perguntes porquê,
Choro quando não te toco...
Choro porque não te sinto!

Por isso,
Pedi que viesses,
Que nos fossemos sentar
Em frente ao que queríamos ser,
Ou,
Ao que fomos,
Quando ainda não sabíamos
Da existência de caixas de futuro,
Para abrirmos juntos,
Até termos a nossa história...

Não me perguntes porquê,
Mas,
Quero-te ainda mais,
Ainda que estejas já,
tão comigo!

Talvez por isso,
Tenha aberto a caixa,
A que guardava o mar,
E as ondas delinearam,
Salinas,
O sorriso posto no areal,
Nossos lábios escarlates...

Não me perguntes porquê,
Mas que vontade de ver,
De tirar outra caixa,
Um pedaço de sol,
Ajeitar-lhe expressões doces,
E
Dividi-lo,
Pelas nossas faces,
Tornando-as cálidas...

Já estamos sentados,
Numa pedra de xisto,
Pescando peixes,
Peixes coloridos,
Voadores,
Com a ponta dos dedos,
Feitos anzóis
Que não magoam,
Por tão redondos!

Enchemos com eles,
Uma das caixas que esvaziamos,
Que decorámos com paisagens,
Que enchemos de rios,
Onde se reflectem as horas passadas,
Quase todas as ue tirámos do futuro,
E vemo-los nadar...
Roçando os nossos pés descalços...

Não me perguntes porquê,
Porque já sabes a resposta.
Tu sabias!

Seriam estes os momentos
Com que faríamos colares.
Que destas caixas sairia
A mais bela história,
E eu pararia de chorar marés,
Para sorrir areais,
Ornando este espaço de nós,
Com abraços,
Búzios postos em fila...

Da penúltima caixa,
tiravas então, cones de vento,
Que aproveitavas
Para te chegares ainda mais,
E, sermos,
Nesta praia,
Os únicos habitantes!

Não me perguntes porquê,
Se já sabemos tudo!

Aproveitamos o resto das palavras,
Das que encontrámos
No fundo da última caixa
Para as lançar... no mar
Quais jogas redondas, redondas!

Cristina Miranda

terça-feira, julho 27, 2004

(A)MAR(-TE)

Hoje levei-te em mim, passeamo-nos por horizontes de mar...
Tenho fome de ti como o mar tem das pegadas que deixas na sua orla.
Tenho sede de ti como a areia seca tem da água.
O teu hálito é fresco como o nevoeiro da manhã sobre o oceano.
Gosto quando os teus olhos brilham com o reflexo do sol nas ondas
Que espelham o teu andar.
Não resisto a refrescar-me, entrando nelas.
O teu riso confunde-se com o murmúrio da água que escorre das rochas
Quando o mar se retira.
Já na areia, as minhas mãos sobem e descem as pequenas dunas que te enformam,
Lentamente, sem cansaço.
Quando o dia termina, rejubilo de trazer comigo para casa, os cheiros e cores de mar, a praia
Quente e fresca, que és tu!
Trago-te em mim...

Maria



(Deve dizer-se como se fosse uma onda)

Amar
Amar
Amar-te
Amar a arte
De te amar
Do mar
Domar a arte
E o mar a dar-te
A dar-te amor
Amor de amar
Amor do mar
Amar de amor
Da minha arte
Arte de dar
De dar ao mar
E o mar me dar
A dor do mar
Ardor de amar
E de eu me dar
Arte de amar
E de te amar
Amar a arte
Amar-te
Amar
Amar.

Jorge Castro




segunda-feira, julho 26, 2004

Meu fogo...

Foi luz e trevas, foi calor e frio, foi tudo e nada.
Encheu-me a consciência da minha insignificância,
De que nada posso e de que aquilo que quero não conta.
É hoje certeza de que o que possuo não é meu mas do destino.
E ontem, já só braseiro, alimentou-me a solidão,
Pois tu não estavas...
Ah, se os teus dedos pudessem limpar a fuligem dos meus olhos
E a tua boca varrer as cinzas que cobrem a minha,
Por baixo estaria um sorriso à tua espera
E sentir-me-ia compensada!
Vem! Depressa!



domingo, julho 25, 2004

Avaria

A pedido da Maria informo que devido a um grande incêndio nas proximidades da sua residência, sem acidentes pessoais, a electricidade e outros serviços foram interrompidos hoje, à população do local. Assim, só quando for restabalecido o abastecimento será possível termos a nossa amiga connosco.
Esperamos que seja breve.

sexta-feira, julho 23, 2004

Arvore de ti...

Não sei que árvore és.
Não sei se as tuas folhas desistem de viver, no Outono.
Se brotam flores esfuziantes nos teus ramos algures na Primavera.
Se a tua casca é daquelas que apetece abraçar.
Desconheço a música que o vento do Inverno toca nos teus vazios
E as formas da sombra da tua copa, no Verão.
Tens dois ramos bem abertos que me prometem um abraço de saudade do meu longínquo amor
Arvore de vermelhos-muitos,
lembras-me alguém...


quinta-feira, julho 22, 2004

Quase...

Senti hoje o meu corpo a rejeitar o erguer da manhã
E o meu cérebro a recusar o acordar.
Muita ilusão e muito sonho passam, desfeitos,
Pelo pensamento, a esta hora, ainda titubeante.
Há dias em que não aguentamos as nossas desditas
E a realidade sentida se reveste da mais negra capa.
Quem sabe se estes dias não fazem falta para podermos apreciar
Aqueles pequenos nadas que nos enchem de alegria.
Mas hoje não! Não sinto a cor, os sorrisos, o sol, a vida.
Hoje ocorrem-me em catadupa todos os quase que fui ou possuí,
Com aquela frustração e amargo de boca deixados pelo não realizado.
São acres as lágrimas que solto.
Nelas vão as palavras que me pesam
Angustiadas para se fazerem ouvir, não gritam, não murmuram…
Apenas se choram silênciosamente fechadas no sentir…


Maria




Quasi

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...


Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tude se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser-quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário de Sá Carneiro




quarta-feira, julho 21, 2004

Dias que se vestem em noite...

Deito-me contigo, contigo acordo e contudo não estás aqui;

Encho os braços com pensamentos de ti e fecho-os no ar...

Os teus olhos fitam os meus quando estás fora de vista;

Meus lábios tocam constantemente os teus de manhã, à tarde e à noite.

Penso e falo de outras coisas para ter paz de espírito,

Mas a minha memória agarra-se a ti sedenta das tuas palavras e da tua imagem.

Escondo-o dos olhos do mundo, penso e falo em contrário,

Mas manso vem o vento do céu que me sopra lendas tuas.

O vento da noite segreda-me aos ouvidos,

Suspirando, sem pressa, notícias tuas.

Despertando ainda mais esta saudade que me veste a alma…

Deito-me, levanto-me na companhia da noite que me veste o sentir...







terça-feira, julho 20, 2004

Deixa

...que os meus olhos se fechem
E confiem um minuto nos teus
Olha por mim, proteje o meu sonho
Vigia o meu descanso e afasta-me de toas as mágoas
Envolve-me nos teus braços e,
cuida um pouquinho de mim
Preciso do teu apoio, do teu abraço,
do teu sentido
Deixa-me descansar e,
Adormecer no teu peito
deixa-me sonhar…
Vou sonhar com a tua boca
Com as tuas mãos, com os teu beijos,
Com teu corpo na minha pele
Com tudo o que quero de ti
Vou entregar-me neste sonho
E assim que despertar
Não quero ter apenas saudade
Vou transporta-lo
Para o nosso mundo
Vou fazer deste sonho
A nossa realidade.

Maria

Mais que um sonho és uma realidade sonhada.
Para ti um pouco da cor, com que me pintas os dias, em forma de flor...



Não quero viver
sem ti
mais nenhum tempo

Nem sequer um segundo
do teu sono

Encostar-me toda a ti eu não invento
Tu és a minha vida o tempo todo

Maria Teresa Horta

segunda-feira, julho 19, 2004

Palavras

O que penso, o que sinto, o que vivo só sossegam quando agarrados pela estrutura das letras e pelo ritmo dos fonemas. Daí a minha ansiedade. Quero sempre trazer para a luz das palavras o silêncio do que ainda não foi dito.
Quero que ao deposita-las num qualquer pedaço de papel, me esvaziem de todas as inquietações e mágoas…
E como são fortes, fizeram-me percorrer por tantos caminhos só para me ver revelar o meu amor e apego à vida.

Até quando..?

Até quando terás, minha alma, esta doçura,
este dom de sofrer, este poder de amar,
a força de estar sempre – insegura – segura
como a flecha que segue a trajetória obscura,
fiel ao seu movimento, exata em seu lugar...?


Cecilia Meireles

domingo, julho 18, 2004

Sonhos desfeitos...

Há sonhos que desfazem-se num breve instante, como as ondas que se desmancham na praia…
Deixando a dor, o vazio
A mágoa da perda…
Que se prende na alma,
Despertando lágrimas caladas,
Que fustigam,e ferem alma...




Poderia...

...aplicar em ti todo o tempo do meu dia.

Seria depósito das palavras que não têm resposta

E sótão das tuas memórias,

Alvo dos olhares para além de mim,

Eco das tuas gargalhadas sem motivo,

Coberta contra os frios da alma

E lenço para as lágrimas de dor,

poderia...

sábado, julho 17, 2004

Espero...

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

Sophia de Mello Breyner

Quando vens,trazes o sol e a ternura.
São os teus olhos que me despertam
E me oferecem o aroma da vida.
É a doçura inquieta das tuas mãos
que veste os meus sonhos.
O momento que espero é este,
Quando vens antes de mim e dos sentidos.
Quando me confidencias as tuas saudades,
e os caminhos por onde me levaste,
nas tuas ausências…
Quando me trazes a Primavera…



sexta-feira, julho 16, 2004

Simplesmente...

Desenho-te, sem palavras, nem sons, nem perguntas, nem porquês.
Nasces bailado de cores em gestos que se entrelaçam,
que só tu ouves,
só tu vês…
Sentada,
olhas-te,
a voar,
a sentir,
a rezar.
Falas,
contigo,
com ninguém,
comigo,
além…
Imaginas-te desenho,
sem traço,
só cor, (que desenho não cabe em abraço, em amor.)
Irrequieta,
erguida,
decidida,
és imagem múltipla,
que ora,
facetada,
dividida...
Já não consigo desenho,
fugiu,
não chora.
Ausente,
saltita, borboleta-flor,
enternecida.
Pinto mulher,
multicolor,
cristalina,
Pinto-te,
simplesmente,
Maria…

Almaro



Quero...

Não, não quero voar contigo.
As alturas nada me dizem...
Não, não quero passear contigo na praia.
O vento, o mar e a areia estão a mais...
Quero...
Simplesmente ter-te ao pé de mim.
Onde te possa agarrar e muito naturalmente sentir a matéria que ocupa esse teu espaço
Tão exclusivo e especial.
Acredito que se nos apertarmos bem,
Ficaremos suficientemente ligados para que se nivelem as felicidades respectivas
Como líquido em vasos comunicantes.
És também carne, ossos e pele que conformam uma cabeça, um tronco, membros.
Acariciando todos eles o meu corpo conhece a alma que comanda o teu, e o teu, a minha.
Isto feito, demos asas então a uma imaginação poética mais verdadeira
Que se manifestará emocionalmente mais eloquente e duradoura,
Pois o amor romântico acontece entre dois seres de corpo e espírito simultâneos.

quinta-feira, julho 15, 2004

Silêncio...

Não te doas do meu silêncio:
Estou cansado de todas as palavras.
Não sabes que te amo?
Pousa a mão na minha testa:
Captarás numa palpitação inefável
O sentido da única palavra essencial - Amor!

(Manuel Bandeira)


quinta-feira, julho 08, 2004

Amo-te...

Eu amo-te
Como quem esquece o tempo
E avança os ponteiros do relógio
Para celebrar a tua chegada

Eu amo-te
Como quem descobre nas coisas simples
Um prazer inexplicável e delicioso
De encontrar-te onde quer que meus olhos toquem

Eu amo-te
Como quem sofre silenciosamente
A distância e a ausência
Mas não perde a certeza do reencontro

Eu amo-te
Como quem tateia no escuro
Em busca do calor que se esconde
Nas horas angustiosas do dia

Eu amo-te
Como quem reescreve a sua história
Preenchendo a cada amanhecer as páginas
Outrora cobertas pelo pó das mágoas
Eu amo-te…
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